quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A clarear manhãs
No desencanto de seu canto
O rouxinol hare krishna voa só
Bebendo a vida em poucos goles
Direto do olho d'água

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Naquele tempo éramos deuses.
De nós mesmos e uns dos outros.
Fomos uns dos outros, talvez mais que deuses.

A constância dos hábitos transviados
Não cresceu. Atrofiou-se no calendário.
Sou agora um mero ateu, nada de deuses.

Éramos caretas. Depois descobri.
Haviam os outros, mais loucos, e nós.
Eu era eu. Vocês eram dos outros.

Fomos loucos para mim.
E ainda há o álbum de nós, como deuses.
Enquanto, caretas, estão fotografados os seus outros.

Cultua os seus loucos.
E aos poucos.
Morremos
De caretas que fomos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

SIN(sim.)-CER(ser)-IDADE.

Cabelo, cabeleira:
Preta, amarela vermelha.
Inconseqüência:
Bela rosa morena.
Cigarro. Magro:
Pálido de longos louros.
Grande e medonho ser:
Puro de coração.
E... Eu:

Se saudade fizesse voltar,
Eu nada mais seria
Que aquele eu de antes,
Ou um óvulo fecundo.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Maior que a alma.

Do caos, uma liberdade efémera.
Asas. Poética maior que a alma.
Poder em combustão, confusão, colisão.
Preciso rever velhos amigos.
Preciso beber algo.
Antes que eu durma de novo.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sombrear/ Conversas

Posta no balcão espera uma xícara.
Enquanto sobre a madeira
A luz lhe molda uma gêmea.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Fotografia.

Um mantra sagrado
Sob o silêncio do pecador.
Ofusca no asfalto molhado
O tom de um rosto amarrotado
Pelo tempo, seu senhor.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um risco inimigo no espaço
É um maço de câncer, um traço.
É um trago, um pulmão em estilhaços
De quem vê o que quer e não deve
De quem pode querer que em breve
O que serve de idéia e abrigo,
Queime brando e o leve consigo.